sexta-feira, 25 de maio de 2012

Wolfsburg: O despertar tardio dos Lobos

Por Enrico Bruno

A receita era quase certa. O Wolfsburg era apenas mais um time passando por fortes crises e dado como possível candidato ao rebaixamento. Com contratações sem nenhum atrativo e a chegada de um técnico, apesar de conhecido, chutado do Schalke após um fracasso retumbante, os lobos começavam a turbulenta temporada 2011/2012 da Bundesliga.

Antes mesmo do mau desempenho ao final do campeonato de 2010/2011, quando escaparam da segundona na última rodada, os lobos caminhavam a passos largos para uma crise sem fim. Ou quase sem fim. Após a saída do técnico campeão Félix Magath, em 2009, a equipe entrou em queda e só foi resgatada este ano pelo próprio Magath, gostem dele ou não.

Diferente de outras equipes como Hamburgo e Colônia, o Wolfsburg tinha um presidente, uma diretoria e um técnico. Se assim podemos dizer, o câncer dos lobos não se encontrava no coração, mas em outros campos que não os deixava de pé. Recapitulando o início da temporada verde e branca, foram gastos 21,5 milhões de euros em contratações. Pela porta de trás, saíram Dzeko, Grafite e Diego. Daí o principal problema no restante dos meses. A relação técnico/jogadores.


Magath dispensou o meia Diego do elenco principal depois de ter se recusado a participar da partida decisiva em 2010. O brasileiro passou a treinar com o time B e para não ter que jogar a 4ª divisão alemã, foi vendido por cinco milhões de euros a menos que sua contratação no ano anterior. Este foi apenas um aperitivo do jeito durão de Magath, que ainda “convidou” mais dois atletas para o elenco B.

Na temporada atual, o Wolfsburg começou de mal a pior. A equipe chegou a ocupar o posto de terceira defesa mais vazada ao fim do primeiro turno. Ganhava um jogo, perdia três e empatava mais um. Conseguiu, no máximo, quatro pontos em cinco jogos. Tudo ocorria conforme aquelas previsões no início do campeonato. Até que a pausa para o inverno chegou e a reviravolta aconteceu.

Magath pediu contratações. Queria Rosick, do Arsenal e Olic, do Bayern. “No verão, investiram no tamanho do grupo. Agora, temos que investir na qualidade e no talento”, afirmou. Mas o cenário foi outro. A diretoria trouxe um pacote de sete jogadores vindos de times pequenos e, na maioria, ainda desconhecidos. Restou a Magath mostrar o porquê da fama de montar equipes fortes sem grandes nomes.

No segundo turno, o Wolfsburg conseguiu alcançar a marca de cinco jogos invictos e quatro vitórias seguidas, quebradas apenas na derrota para o líder Dortmund. A base da equipe se manteve a mesma, mas houve melhoras após a entrada do volante Jiracek e dos gols espíritas do garoto Polter. Na frente, Dejagah abastecia Helmes e Mandzukic. Ainda que tarde, Magath começava a fazer o time jogar.

Onze inicial mais utilizado por Félix Magath; Não fossem os pontos desperdiçados, a temporada poderia ter sido muito melhor para o time da Baixa-Saxônia.
Após ficarem a quatro pontos do rebaixamento no turno, os lobos brigaram por uma vaga na Europa League até a rodada 34. O 8º lugar veio, no final, e com ele a frustração de que poderiam voltar ao cenário internacional se aquele “sanguinho” a mais fosse dado mais cedo. De bom, restou lembrar a redenção e o sprint no segundo turno.

Dos jogadores, o melhor deles foi senão o mais constante em todo o campeonato. Marcel Schäfer atuou em todos os 34 jogos. Além de ser um dos homens na bola parada, o lateral esquerdo foi eficiente na marcação e nas subidas. Balançou a rede em cinco oportunidades. Dos piores, as peças da terceira pior defesa da Bundesliga. A decepção ficou com Russ, no miolo de zaga, e Josué, mais a frente, pela instabilidade no meio de campo enquanto foi titular somado a incapacidade de substituir Jiracek, quando já esquentava o banco.

O aproveitamento de 43% foi abaixo para um time que foi campeão três anos atrás. Com o espírito das últimas rodadas, o Wolfsburg precisa de algumas outras contratações pontuais para a temporada que vem. É preciso, também, que não se repitam os erros dos anos anteriores e, principalmente, que Magath domine melhor os lobos e o seu próprio temperamento.

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