A receita era quase certa. O Wolfsburg era apenas mais um time passando por fortes crises e dado como possível candidato ao rebaixamento. Com contratações sem nenhum atrativo e a chegada de um técnico, apesar de conhecido, chutado do Schalke após um fracasso retumbante, os lobos começavam a turbulenta temporada 2011/2012 da Bundesliga.
Antes mesmo do mau desempenho ao final do campeonato de 2010/2011, quando escaparam da segundona na última rodada, os lobos caminhavam a passos largos para uma crise sem fim. Ou quase sem fim. Após a saída do técnico campeão Félix Magath, em 2009, a equipe entrou em queda e só foi resgatada este ano pelo próprio Magath, gostem dele ou não.
Diferente de outras equipes como Hamburgo e Colônia, o Wolfsburg tinha um presidente, uma diretoria e um técnico. Se assim podemos dizer, o câncer dos lobos não se encontrava no coração, mas em outros campos que não os deixava de pé. Recapitulando o início da temporada verde e branca, foram gastos 21,5 milhões de euros em contratações. Pela porta de trás, saíram Dzeko, Grafite e Diego. Daí o principal problema no restante dos meses. A relação técnico/jogadores.
Magath dispensou o meia Diego do elenco principal depois de ter se recusado a participar da partida decisiva em 2010. O brasileiro passou a treinar com o time B e para não ter que jogar a 4ª divisão alemã, foi vendido por cinco milhões de euros a menos que sua contratação no ano anterior. Este foi apenas um aperitivo do jeito durão de Magath, que ainda “convidou” mais dois atletas para o elenco B.
Na temporada atual, o Wolfsburg começou de mal a pior. A equipe chegou a ocupar o posto de terceira defesa mais vazada ao fim do primeiro turno. Ganhava um jogo, perdia três e empatava mais um. Conseguiu, no máximo, quatro pontos em cinco jogos. Tudo ocorria conforme aquelas previsões no início do campeonato. Até que a pausa para o inverno chegou e a reviravolta aconteceu.
Magath pediu contratações. Queria Rosick, do Arsenal e Olic, do Bayern. “No verão, investiram no tamanho do grupo. Agora, temos que investir na qualidade e no talento”, afirmou. Mas o cenário foi outro. A diretoria trouxe um pacote de sete jogadores vindos de times pequenos e, na maioria, ainda desconhecidos. Restou a Magath mostrar o porquê da fama de montar equipes fortes sem grandes nomes.
No segundo turno, o Wolfsburg conseguiu alcançar a marca de cinco jogos invictos e quatro vitórias seguidas, quebradas apenas na derrota para o líder Dortmund. A base da equipe se manteve a mesma, mas houve melhoras após a entrada do volante Jiracek e dos gols espíritas do garoto Polter. Na frente, Dejagah abastecia Helmes e Mandzukic. Ainda que tarde, Magath começava a fazer o time jogar.
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| Onze inicial mais utilizado por Félix Magath; Não fossem os pontos desperdiçados, a temporada poderia ter sido muito melhor para o time da Baixa-Saxônia. |
Dos jogadores, o melhor deles foi senão o mais constante em todo o campeonato. Marcel Schäfer atuou em todos os 34 jogos. Além de ser um dos homens na bola parada, o lateral esquerdo foi eficiente na marcação e nas subidas. Balançou a rede em cinco oportunidades. Dos piores, as peças da terceira pior defesa da Bundesliga. A decepção ficou com Russ, no miolo de zaga, e Josué, mais a frente, pela instabilidade no meio de campo enquanto foi titular somado a incapacidade de substituir Jiracek, quando já esquentava o banco.














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