segunda-feira, 21 de maio de 2012

Freiburg: Ruim com ele, melhor sem ele

Por Luan Claudio

O que um time poderia fazer na lanterna na metade do campeonato e vendendo o artilheiro e craque do time nesta situação? Normalmente este time faria um péssimo segundo turno e seria rebaixado no final. Mas não foi o que aconteceu com o Freiburg, que melhorou e muito, após a saída do artilheiro Cissé e conseguiu se manter na 1.Bundesliga, o que justifica o título deste post.

Em 2010/2011, o Freiburg conseguiu o nono lugar, numa campanha em que brilharam as estrelas do artilheiro Papiss Cissé (vice-artilheiro do campeonato com 22 gols), o zagueiro Omer Toprak, um dos melhores da temporada e principalmente do treinador Robin Dutt, que conseguiu levar um time formado por jogadores que ninguém conhecia a um lugar digno na tabela.

O Freiburg começou a temporada com duas baixas importantes em seu elenco: justamente dois dos citados acima foram vendidos, o zagueiro Toprak e o técnico Robin Dutt, ambos para o Bayer Leverkusen. Apesar destas baixas consideráveis, o time conseguiu manter a dupla de ataque formada por Papiss Cissé e Cedric Makiadi, para assim estar em melhores condições de evitar um provável descenso em 2011/2012.

Sob a dependência de Papiss Cissé, o Freiburg começou a temporada contra os atuais campeões, e em Dortmund perdeu de 4 a 0. O time tinha que mudar...
A temporada começou com muitos tropeços, entre eles uma vergonhosa derrota sofrida para o Bayern de Munique, por 7 a 0 na Allianz Arena. Os rubro negros ainda sofreram goleadas de Schalke, Borussia Dortmund e até do rebaixado Colônia, terminando o vergonhoso primeiro turno na lanterna do campeonato, com a pior defesa, e com o então treinador Marcus Sorg, demitido.

Com esses números pífios no 1º turno, foi difícil segurar o seu melhor jogador por mais tempo e Papiss Cissé, que era um dos artilheiros do campeonato, foi vendido para o Newcastle, da Inglaterra, em janeiro. Daí pra frente o Freiburg foi outro time. Não só pela venda de Cissé, mas muito também pela chegada do novo treinador, Christian Streich, que arrumou a casa, deu um jeito na defesa e conseguiu fazer o time permanecer na 1ª divisão alemã.

Se no turno a equipe havia conseguido apenas 3 vitórias, no returno foram 6. As derrotas deram lugar a empates, que ajudavam na pontuação da equipe. O time só perdeu 4 vezes no segundo turno. A defesa foi reforçada com bons nomes: Michael Lumb (Zenit), Andreas Hinkel (sem clube) e Falllou Diagné (Metz) deram uma consistência ao setor e o time passou a sofrer menos gols, mas ainda assim terminou como a 3ª pior defesa da competição.

Mesmo saindo no meio da temporada, Cissé foi um dos que mais entrou em campo na temporada. Depois de sua saída ninguém conseguiu se firmar no comando de ataque.
O time rubro negro teve alguns destaques individuais, mas o cara do time foi o volante Daniel Caligiuri, que por muitas vezes jogou improvisado na lateral direita, ajudando a melhorar o desempenho defensivo da equipe, além de ser muito eficiente na frente, marcando 6 gols na temporada. Os nomes do bom goleiro Oliver Baumann, do volante Johannes Flum e do meia-atacante Cedric Makiadi, também merecem menções honrosas.

A grande decepção do elenco foi o atacante Ivan Santini. O jogador chegou do Zadar, da Croácia, com status de artilheiro do campeonato croata e foi logo pegando a camisa 9, que era de Cissé. Mas Santini acabou decepcionando, esteve em campo em 10 jogos, na maioria deles vindo do banco de reservas, e não marcou nenhum gol na Bundesliga. O empréstimo dele com o Freiburg terminou e ele voltará à Croácia na próxima temporada.

Enfim, o Freiburg mostrou que há vida sem Papiss Cissé, e o que tava ruim, acabou melhorando sem o senegalês. As expectativas para a próxima temporada são boas. Christian Streich terá uma pré-temporada para reforçar a equipe e terá o time nas mãos desde o início do campeonato, o que poderá fazer com que o time não brigue mais por rebaixamento e passe a pensar em vôos mais altos na Bundesliga.

Na próxima temporada do time do sul da Alemanha os jovens das categorias de base devem ser muito mais utilizados, e a busca por um novo dono da camisa 9 segue de pé.


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