quinta-feira, 17 de maio de 2012

Hamburgo: As marcas de uma trágica temporada

Por Enrico Bruno

Decepção. Está foi a palavra para definir o Hamburgo na temporada 2011/2012. Uma das mais tradicionais equipes da Alemanha, o HSV fez sua pior campanha nos 50 anos de Bundesliga. O time limitado, os constantes desencontros entre técnico e diretoria, e os problemas financeiros foram alguns dos acontecimentos que forçaram a equipe a brigar contra o rebaixamento até a penúltima rodada do campeonato.
A despedida de Petric e Jarolim. Uma das poucas 'festas' no ano.
Fazendo uma recapitulação dos últimos anos e da temporada passada, o Hamburgo entrou na Bundesliga totalmente reformulado, com vários jovens e candidatos a promessas. Do time que conquistou o 8º lugar em 2011, saíram Zé Roberto, o artilheiro Van Nistelrooy, o veterano Mathijsen, Elia e ainda Alex Silva, que também pertencia ao clube. Chegaram garotos como Son, Käcar, Berg e Tore. Já no início da temporada, o clube já declarara falência, bem antes mesmo de perder o presidente e os diretores de comunicação e marketing. Na política do futebol alemão, quem não tem grana cai mesmo, faz maus campeonatos e é rebaixado. Foi assim com o Hertha em 2010 e o Colônia em este ano. No Hamburgo, o ditado não valeu por pouco em 2012...

Em meados de julho de 2011, o HSV disputou a “Liga Total CUP”, juntamente com Borussia, Bayern e Mainz. Do que se pôde ver nas partidas contra o time de Munique e de Dortmund, foi uma equipe jovem, limitada, porém aguerrida. Mas limitada (novamente) e sem experiência. Se a principal preocupação era encaixar o meio campo, bem desfalcado, a resposta parecia estar nos pés de Käcar e Tore. O menino Son, no ataque, era a esperança de gols, na companhia de Petric e Guerrero. Mas o efeito das contratações foram traduzidos em maus resultados e a péssima campanha no alemão.

O Hamburgo começou a temporada jogando assim, na derrota por 3 a 1 diante do Borussia Dortmund. Ainda com Elia, que depois viria a se transferir para a Juventus de Turim, onde não conseguiu vingar.
Na Bundesliga, o Hamburgo não conseguiu vencer duas partidas seguidas em toda a competição. Ainda no primeiro turno, chegou a somar 1 ponto em 18 disputados. O time limitadíssimo tentou o que pôde. Deu pena do HSV esta temporada. Quando os veteranos não tentavam desfazer as bobagens (muitas vezes por inexperiência) dos garotos, estavam se desdobrando, em variadas posições, para isentar a torcida de uma culpa que não era dela. Esta, não aguentou. Fez festa, mas com os constantes maus resultados, levou foguetes, brigou. A pirotecnia virou moda na Imtech Arena e o time conseguiu ser o líder em multas cobradas pelo mau comportamento do seu maior patrimônio. Aliás, a casa do Hamburgo era fora de casa. Dentro de seus domínios, o time fez uma campanha de segunda divisão. Fora, de Europa League. Coisas do futebol.

Ao fim do 1º turno, o Hamburgo ostentava a incômoda 13ª colocação (a mesma posição não era ocupada desde 2001). Pouco antes, chegou ao clube, Throsten Fink, ex-treinador do Basel, e que eliminou o Manchester da Liga dos Campeões. O alemão conseguiu tirar o Hamburgo da lanterna que segurou durante quase dois meses. Com ele, a equipe fugiu do rebaixamento, mas continuou aos trancos e barrancos até a  15ª colocação no término do campeonato. Na DFB-Pokal, a equipe atuou conforme o previsto. Bateu, sem goleadas (é bom frisar) em “cachorro morto” até onde foi possível. Até encontrar um Stuttgart pela frente e sair da copa.

Foi assim que o Hamburgo entrou em campo na maior parte da temporada, porém Jarolim já não tem mais o fôlego de antes e a dupla de ataque não foi capaz de decidir a favor do 'Dinos'.
Em um time  pouco experiente, a falta de maturidade pagou pela constante instabilidade e foi um dos quesitos mais criticados. Bruma, o holandês que veio do inglês, Chelsea, caiu como presente grego ao time do norte alemão. Ao lado do veterano Westermann, o garoto de 20 anos não conseguiu passar segurança no miolo de zaga (o HSV teve a terceira pior defesa). Foi facilmente batido nas jogadas de 'mano a mano', além de falhas de posicionamento e marcação nas bolas alçadas na área. A desatenção foi crucial para o time, que sofreu com os vários empates e gols nos últimos minutos. Por outro lado, as surpresas da equipe ficaram por conta de Dennis Aogo (pelas fortes e competentes subidas ao ataque), Marcell Jansen (pela articulação e armação de um time que pouco criava) e do arqueiro Drobny (em algumas ocasiões em nossa Seleção da Rodada, evitando várias outras derrotas dos dinos).

De bom mesmo, o HSV comemorou apenas o ’título’ de ser a única equipe a nunca ter caído de divisão. Na última partida em casa, contra o Mainz, a torcida se despediu de ídolos como Mladen Petric e Jarolim, outras vítimas da atual política do bom e barato.

Fink acredita que em três anos, a equipe estará, novamente, lutando pelas competições internacionais. Até lá, tem muita bola para rolar. As vésperas de completar 125 anos, os “Dinos” lutam para mexer nas engrenagens do tempo e fazer tudo voltar ao normal, resgatando um passado de glorias e tradição nas terras germânicas.

Foi assim que o Hamburgo foi a campo na sua última partida, diante do Augsburg. Fink e a torcida agora torcem para que os jovens talentos possam render o esperado na próxima temporada.

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