quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Crise no norte da Alemanha

Um ponto é o que separa o Wolfsburg do Hamburgo na tabela de classificação da Bundesliga. Menos de cinco pontos abaixo, encontra-se a zona de descenso. Afundados em desentendimentos, reformulações e apostas de risco, os dois times formaram um par nada agradável de decepções neste primeiro turno do alemão.

A começar pelos lobos, terceira defesa mais vazada. A fumaça da montadora Volkswagen parece cobrir a cidade e o clube com uma nebulosa crise que só aumenta há três anos, quando Felix Magath deixou o time após o título da temporada 2008/2009. De lá pra cá, apenas discórdias entre dirigentes, comissão técnica e jogadores.
O rabugento Felix Magath conta com os jovens contratados para
livrar o Wolfsburg do fantasma da segundona.
O treinador campeão voltou à equipe em março de 2011, quando escapou na última rodada do rebaixamento. Já na ocasião, Magath dispensou o meia Diego do elenco principal depois de ter se recusado a participar da partida decisiva. O brasileiro passou a treinar com o time B e para não ter que jogar a 4ª divisão alemã, foi vendido por cinco milhões de euros a menos que sua contratação no ano anterior. Ao término da temporada, o brasileiro Grafite também deixou o plantel.

A atual temporada começou, mas com ela voltaram os velhos problemas em Wolfsburg. O time só não gastou mais que o poderoso Bayern (21,5 milhões de euros contra 44 milhões do time da Baviera). A contratação mais cara foi o bom volante alemão Christian Träsch, do Stuttgart, mas a equipe segue irregular e sem dar liga. Não conseguiu vencer sequer dois jogos seguidos na Bundesliga.

Com fama de durão, Felix Magath afastou mais dois jogadores, no último novembro, para serem integrados ao Wolfsburg II, agora na 3ª divisão. Pediu contratações. Queria Rosick, do Arsenal e Olic, do Bayern. Afirmou que “no verão, investiram no tamanho do grupo. Agora, temos que investir na qualidade e no talento’. Tais palavras renderam, na última semana, a um pacote de sete jogadores contratados pela diretoria, vindos de times pequenos e, na maioria, ainda desconhecidos. Apenas mais um sinal claro da oposição de ideias dentro do clube.

Conseguirá Fink salvar o Hamburgo de um
rebaixamento inédito?
Com melhores resultados nos últimos jogos, mas em situação não menos preocupante, está o Hamburgo. O time, que declarou crise financeira após derrota de 6 a 0 para o Bayern na última temporada (não confundam com os 5 a 0 sofridos para o mesmo time no atual campeonato), começou a temporada 2011/2012 sem presidente e dirigentes de comunicação e marketing, que pediram demissão. Precisando de dinheiro, os hanseáticos fizeram uma reformulação geral. Saíram veteranos como Alex Silva, Zé Roberto, Van Nistelrooy e Mathijsen para a chegada de garotos como Son, Käcar e Töre.

A falta de experiência provocou uma má fase em que a equipe chegou a somar apenas um ponto em seis jogos. A situação melhorou com a vinda do treinador Thorsten Fink, que comandou o Basel, surpresa da Champions League deste ano. Com exceção de um amistoso contra os “Amigos de Ronaldo e Zidane”, Fink ainda está invicto pelo Hamburgo.

Surpresas e decepções à parte, Wolfsburg e Hamburgo caminham para o segundo turno da Bundesliga almejando dias melhores. As competições internacionais que disputaram nos últimos anos parecem um sonho distante desta vez, mas para um time campeão três anos atrás e outro que é único a nunca ter disputado uma segunda divisão, ostentar melhores colocações é o mínimo que podemos esperar. Que venha o segundo turno!
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